O que fazer em Creta, Grécia: guia completo

GUIA COMPLETO COM TUDO DA ILHA GREGA

Creta mistura história, praias paradisíacas e natureza.  As paisagens entregam mar impressionantemente turquesa com montanhas ao fundo. Há vilarejos históricos e charmosos, com influência multicultural, sobretudo veneziana, além de ruinas de uma civilização minoica milenar. O destino é uma delícia, com clima mediterrâneo e a gastronomia cretense: queijos, vinhos e azeites locais. Em outras palavras, um destino lindo e completo! Passamos 7 dias por lá e reunimos nossas melhores dicas com onde ficar e 0 que fazer em Creta, Grécia, nesse guia.

QUANDO IR A CRETA

Julho e agosto são altíssima temporada, mas fomos em julho, por conta do calendário escolar, e tivemos boa experiência: chegando cedo nas praias não as consideramos tão cheias (com exceção de Elafonisi que estava mais movimentada), demos sorte de pegar tempo bom em todos os dias (em tese é o mês com menos probabilidade chuva mesmo), com calor para curtir praia, mas sem exageros e um clima de verão europeu. Para quem puder evitar esse auge, em função dos preços e lotação, apostaria em junho e setembro, mais vazios e com mais chance de tempo firme que fim de abril/ maio e outubro, quando também pode ser cogitada uma viagem a Creta.  

COMO CHEGAR E COMO SE LOCOMOVER EM CRETA

Creta tem dois aeroportos internacionais: Chania e Heraklion, que é a capital. Para o roteiro turístico e de praia que fizemos, Chania é o mais conveniente. Além disso, na alta temporada, tem voos diretos na a partir de várias capitais europeias. Por exemplo, nós viemos de Paris e na volta seguimos Para Londres, sem escala, em cerca de 3 – 3:30 horas de distância.

Para locomoção, certamente carro é a melhor opção. Afinal, a ilha é grande e as atrações não são próximas umas das outras. Nós alugamos com a Discover Cars e tivemos ótima experiência. Reservamos pelo site: escolhemos uma opção no próprio aeroporto e também gostamos dos preços, além do serviço.

O QUE FAZER EM CRETA, GRÉCIA

PRAIAS

BALOS E GRAMVOUSA

Certamente essa praia não pode faltar na lista com o que fazer em Creta! Afinal, é considerada uma das mais belas da Europa e do mundo. Mar azul transparente, do lado esquerdo forma uma grande lagoa (sim, nessa parte, em especial, a água estava com temperatura mega agradável!) e com areia branquinha.

A estrutura é pouca: tem um pequeno quiosque na montanha atrás e aluguel de espreguiçadeiras com guarda-sol (conseguimos, já que chegamos cedo, mas não são muitas). Aliás, na hora em que chegamos (por volta das 9:30 h, curtimos uma praia agradável e sem estar cheia. Na tarde, quando saímos, vimos os barcos maiores chegando, quando a praia começou a encher mais.

Quanto ao acesso, uma das opções é seguir de carro até o estacionamento da praia – cerca de 1 hora e meia do centro de Chania – e descer por 2 km em uma trilha montanha abaixo. Ou de barco, a partir do porto de Kissamos – que fica a pouco menos de 1 hora de Chania -, como fizemos. Nós fizemos o tour privativo e valeu muito a pena. Seja pela facilidade e conforto, seja por também ter visitado a lindíssima ilha de Gramvousa na volta. Ainda há a opção de balsa.

Nosso passeio foi feito pela empresa Seaholics e foi excelente. Seguimos direto para Balos e na volta ainda nadamos na mega azul Gramvousa, além de avistamos a pequena igrejinha Agios Sozon. Fechamos o passeio de 5 horas com o simpático marinheiro Manolis, com direito a bebida e umas bruschetas maravilhosas.

ELAFONISI

Mais uma praia de Creta listada entre as mais lindas da Europa. Elafonisi também tem o mar muito azul e forma verdadeiras piscinas. Ela tende a ventar mais e pode ser cenário para a prática de windsurf. Outra característica que costuma ser atribuída a ela são as areias rosa. Mas confesso que vimos apenas em um tom levemente rosado em algumas partes.

Quanto ao acesso, ela fica a cerca de 1:45 h do centro de Chania em uma estrada asfaltada, mas com muitas curvas no fim. Há estacionamentos grandes na proximidade da praia (após estacionar ainda rola uma caminhada não muito longa). No começo do trajeto, tem lanchonetes e alguns restaurantes. Na praia em si tem um bar grande e algumas espreguiçadeiras com guarda-sol. Em tempo: essa praia foi a mais lotada que vimos. Quem prefere lugares vazios, na alta temporada deve chegar cedo. Nós chegamos cerca das 10 h e não tinha mais cadeiras disponíveis, por exemplo. Ainda assim, na lateral esquerda havia partes praticamente desertas.

KALYPSO

Antes de tudo, foi uma praia que colocamos no roteiro como “opcional”, mas que nos surpreendeu demais! Um paredão de pedra, com partes de mar verdes, outras azuis. Não tem areia, mas a achamos bastante confortável: na pedra principal tem várias espreguiçadeiras com guarda-sol para aluguel, e escadas para descer no mar. Também foi a nossa preferida para snorkel. Em outras palavras, diferente, lindíssima e imperdível. Na entrada tem um pequeno restaurante.

O acesso se dá a partir do estacionamento de um hotel (kalypso spa) – fica mais próximo de Rethymno (50 min) do que de Chania (1:45 h). A partir daí é uma caminhada não longa, após uma descida em alguns degraus, dentro do hotel, em piso asfaltado mesmo.

SEITAN LIMANI

Uma estreita faixa de mar azul turquesa em meio a dois enormes rochedos. Mais uma praia linda e única em Creta.

Em relação ao acesso: a praia – que fica a uns 40 minutos de Chania – pode ser alcançada via carro até o estacionamento e mais caminhada, em uma trilha íngreme e não demarcada. Ou, devido a essa chegada incerta, como optamos, de barco. 

Nosso tour foi privativo com a Seabreeze cruises, também no esquema capitão (George), bebidas e lanchinho (ótimos sanduíches). Fechamos o passeio por 5 horas e combinamos dele nos buscar por um valor adicional no porto de Souda (que é o porto dos cruzeiros em Creta, e que era bem mais perto do nosso hotel), já que o praxe seria de Chania. Também aproveitamos para incluir a Stavros Beach no passeio.

STAVROS BEACH

Essa praia é conhecida por ser o cenário do filme “Zorba, o grego”. Parece que nem sempre os locais a recomendam, pois acham que ela tem mais fama do que beleza. Ainda assim, achamos a cor do mar dela, para mergulho, bastante bonita, com a montanha ao fundo. Não chegamos a ir até a areia, mas vi que tem restaurantes e estrutura.

Ela fica a 30 minutos de Chania, na Península de Akrotiri, a mesma da Seitan Limani, e a incluímos no mesmo passeio de barco. Contudo, ela também seria acessível de carro, com a facilidade de ter estacionamento e estrutura de restaurante.

CIDADES HISTÓRICAS

CHANIA

Estivemos por lá no fim da tarde, com direito a cruzar as muralhas e apreciar o pôr do Sol de frente para o charmoso porto veneziano.

Ou seja, a imponente Chania está no topo da lista quando pensamos sobre o que fazer em Creta, no quesito cidades e vilarejos. E é uma delícia caminhar por sua orla e ruas!

Um pouquinho da história de Chania

Chania é uma cidade que guarda muita história. Isso porque ela teve Influência de vários povos que deixaram sua marca até os dias de hoje.

Desde a Idade do Bronze, quando sua atual região correspondia à antiga Cidonia, um dos principais centros minoicos de Creta. Posteriormente passaram por Chania civilizações diversas, como a bizantina e a árabe. Isso explica o surgimento das fortificações, que vieram a ser adaptadas com o passar dos tempos.

No século 13, após novo domínio bizantino, quando tal império teve o seu território dividido (Resultado da Quarta Cruzada), Chania acabou tendo seus direitos vendidos a Veneza, que iniciou sua conquista.  O período veneziano – que durou cerca de 4 séculos – teve forte influência na cidade, que se tornou um importante centro comercial da ilha. Ele também ajuda a explicar porque Chania nos lembra em alguns aspectos um vilarejo italiano, entre suas ruelas, farol e porto veneziano. Nesse período, suas muralhas foram aprimoradas para resistir não apenas a ataques piratas de escada, mas de artilharia.

Contudo, no século 17, Chania acabou dominada pelos otomanos. Esse novo período incrementou mais uma camada à cidade veneziana, adaptando seu farol e acrescentando mesquita, banhos turcos e fontes. Por fim, na proximidade com o século 20, Creta se torna um Estado autônomo e pouco depois é finalmente incorporada à Grécia.

RETHYMNO

Rethymono é outra incrível cidade histórica de Creta.

Atualmente, além da beleza do seu centro histórico, Rethymno é uma cidade universitária e referência artística da ilha. Também promove um famoso Carnaval de Creta. Além disso, tem ótimos restaurantes e um simpático comércio local. Em outras palavras, é uma delícia se perder por suas ruelas.

Também a visitamos durante o anoitecer, e é o lugar perfeito para comprar os souvenirs da viagem e apreciar a gastronomia cretense. Em tempo: ouvimos que, depois de Chania, Rethymno era “opcional”. Mas, havendo tempo, recomendamos fortemente uma ida, o clima animado da cidade nos conquistou e entrou na nossa lista de sugestões com o que fazer em Creta.

Rethymno e sua história

Ela também acompanhou as transformações políticas de Creta, mas sua importância era menor nos períodos antigos. É no período veneziano, durante a Idade Média, que Rthymno floresce se desenvolve como importante centro estratégico entre Heraklion e Chania. Desse período vemos fontes, igrejas, mosteiro, ruelas, instalações portuárias e a imponente Fortalezza, refletidos na cidade velha até os dias atuais. Também conserva a influência otomana posterior, por meio de mesquitas e casas típicas. A cidade também foi cenário de uma das batalhas na Segunda Guerra Mundial que ficou marcada pelo uso de tropas paraquedistas, pela parte dos alemães, e da forte resistência da população civil grega.

PALACIO DE KNOSS

Knoss é o maior sítio arqueológico da Idade do Bronze de Creta, importante localidade da civilização minoica, com ruínas datadas principalmente deste período, de cerca de 1900 e 1450 a.C.! Sim, a Grécia naturalmente nos remete à história. Mas aqui não estamos falando da Grécia clássica da Acrópoles de Atenas, com seus templos e colunas características, e sim de uma civilização muito anterior, uma das primeiras do Egeu.

Apesar do nome “palácio”, como falamos de milhares de anos atrás, o que vemos por lá não nos remete ao significado da palavra nos dias atuais. Contudo, o complexo é grande e considerado extremamente sofisticado para a época, devido a presença de andares, de vários ambientes e de um sistema hidráulico avançado. Além disso, é possível observar impressionantes afrescos coloridos, ainda que tenham passado por processos de restauração.

Também é importante frisar, ainda nesse assunto, que o arqueólogo Arthur Evans, no início do século 20, reconstruiu parcialmente o espaço, o deixando mais visual que o original, o que, por outro lado, pode ser considerado controverso no meio arqueológico.

Sobre a visita em si, com criança, levemos pouco mais de meia hora para percorrer o espaço. Fizemos em bate e volta a partir de Chania. Como não havia audioguia em português, e com criança, acabamos não usando. Mas pesquisei que o app Lume que forneceria uma venda paralela deste serviço, o que, tratando-se de uma visita histórica, pode fazer sentido. Quanto ao ingresso, comoramos com antecedência para o final da tarde – verão e possível calor -, mas vimos pessoas comprando na hora com uma fila não tão grande. Do lado de fora, havia banheiros e uma pequena lanchonete, que não chegamos a usar.

E a lenda do Minotauro?

Por fim, o complexo de Knoss é associado com a lenda do Minotauro.

Segundo a mitologia grega, Minos, o rei de Creta, pediu ao deus Poseidon um sinal que provasse seu direito ao trono e recebeu um touro branco, que deveria ser sacrificado. Como castigo por ele ter se recusado a matar o animal, Poseidon fez a esposa de Minos se apaixonar pelo touro e dessa união nasceu Minotauro, metade homem, metade touro. E assim, Minos teve que construir um labirinto para aprisionar o monstro. Após vencer uma guerra contra Atenas, passou a exigir da cidade o envio de jovens para alimentá-lo. Até que o herói ateniense Teseu resolveu enfrentar a criatura para acabar com esta situação. A princesa Ariadne, filha do rei Minos, se apaixonou por Teseu e deu a ele um novelo de linha para ele marcar o caminho de volta e sair do labirinto. E assim foi, ele derrotou Minotauro e conseguir achar a saída seguindo o fio de Ariadne.

Ainda que não haja uma comprovação histórica da relação, contribui para a associação o fato de Knoss ser um complexo espaço de Creta, similar a um labirinto, e ao touro, personagem da lenda, ser tão importante para os minoicos, tanto que aparece repetidamente em seus afrescos.

LAGO KOURNAS

É certo que Creta seja conhecida pelas suas praias, mas esse lago pode ser uma atração alternativa por lá. Sobretudo a quem viaja com crianças. Bem, no nosso caso funcionou como um pit stop entre o nosso hotel em Chania até o Palacio de knoss. A água é clarinha e tem pedalinhos, além de muita gente nadando. Na chegada há alguns restaurantes e lojinhas de souvenir.

Outras atrações

Garganta de Samaria

Trilhas por um desfiladeiro com bonito visual. Não fizemos esse passeio e pelo que constatamos que o percurso é longo e de dificuldade moderada a grande. A quem curte e tem experiência neste tipo de atividade, vale verificar com alguma agência local.

NOSSO ROTEIRO COM O QUE FAZER EM CRETA

Dia da Chegada

1 – Hotel + Centro Histórico de Chania

2 – Kalypso Beach + Rethymno

3 – Passeio de barco Balos + Gramvousa

4 – Lago Kounas + Palacio Knoss

5 – Passeio de barco Seitan Limani + Stavros Beach

6 – Elafonisi

Dia da Saída

ONDE FICAR EM CRETA

Antes de tudo, Creta é uma ilha grande, como já falamos. Sendo assim, pensar a base é uma etapa crucial na viagem. Existem 4 grandes regiões: Chania, Rethymnon, Heraklion e Lassiti. Nós optamos em fazer base em Chania, que a região com as principais praias paradisíacas – Balos, Elafonisi, Seitan Limani -, com a principal cidade histórica, além da comodidade dela possuir um aeroporto.

Em Chania, não ficamos no centro histórico e sim nos seus arredores – a uns 20 minutos de distância-, na direção de Rethymnon. Assim asseguramos um deslocamento de até 2 horas para qualquer passeio que fizemos, fosse a praia de Elafonisi, a sudoeste, fosse o Palácio Knoss, a oeste.

KIANI BEACH RESORT – nossa escolha nos arredores de Chania

Nossa escolha foi o Kiani Beach Resort e não poderia ter sido melhor.

Trata-se de um hotel estilo resort, all inclusive, com estrutura e apelo de atividades para crianças. Ele fica de frente para uma praia agradável – com espreguiçadeiras e guarda sol – e tem piscinas, restaurantes, parquinho e até recreação e shows para os pequenos. O hotel entrega uma experiência de conforto: os quartos são grande e modernos, é bonito e tem um clima simpático.  Para o nosso estilo de viagem foi perfeito! Em geral, nosso dia a dia era um passeio para uma praia ou vilarejo e o outro turno no hotel.

Vale frisar que, em relação à gastronomia, não era um estilo de luxo como alguns resorts no Brasil ou Caribe, e sim um buffet principal com opções básicas (além dos bares, estação de crepe e sorvete). Mas, já fomos sabendo disso, e a facilidade de garantir pelo menos uma refeição no hotel compensa (já que optamos por também ir a restaurantes fora para explorar melhor a gastronomia local algumas vezes).

Além de tudo, de todo o modo, o custo benefício compensa muito: fechamos um valor inferior aos bons hotéis do centro histórico (que não eram all inclusive).

CHANIA – CENTRO HISTÓRICO

Ficar na “Cidade Velha” de Chania também é uma ótima ideia, para aproveitar ao máximo o charme dela.

Dentre as opções com bom custo benefício está o Hotel Porto Veneziano – em pleno centrinho, bem avaliado, 3 estrelas, com café da manhã. Na categoria boutiques: Aelios Design Hotel e Boutique Hotel Del Doge entregam bom custo-benefício e ótima localização. Oficialmente fora do centro histórico, mas a uma distância caminhável, com o “luxo” de piscina e estacionamento está o Krity Hotel.

Dentre as opções 5 estrelas, se destacam o Ambassadors Residence Boutique Hotel, o Serenissima Boutique Hotel, e o Monastery Estate Venetian Harbor: todos hotéis boutiques localizados em casarões históricos na cidade velha de Chania. O Ambassadors fica em frente ao porto e pode ter vista para o mar ou terraço com hidromassagem ou varanda; o Serenissima fica bem próximo ao porto e o Monastery fica no meio do centro histórico e alguns quartos podem terraços com hidromassagem.

Já o Hilton Chania Old Town Resort & Spa, fica a poucos passos do centro histórico e entrega uma estrutura de resort mais próxima do vilarejo.

RETHYMNO

Outra base boa para hospedagem é Rethymno. A cidade é uma graça e muito simpática e os preços dos hotéis boutique aparentam melhor custo benefício que em Chania. Sendo assim, eu avaliaria o Rimondi Boutique Hotels e o Mansio Boutique Hotel.

Por fim, espero que as dicas sobre o que fazer em Creta te inspire a explorar esse destino único e incrível. Para ler mais sobre outros paraísos no mediterrâneo, vale conferir nossos artigos sobre destinos como Sardenha, Menorca e Algarve.

Nanda Gaspar

Ama viajar, planejar e falar sobre viagens. Incansável na busca da localização perfeita e na logística dos roteiros redondos, curte história, fotografar e conhecer a cultura local.

Aproveitou um período sabático em Portugal para começar o blog e segue sempre na escolha da próxima – seja uma charmosa  cidade medieval, praia paradisíaca ou metrópole enérgica, para te inspirar a viajar mais e melhor.

nandicasdeviagem
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